(Photo) Drinking is not a crime. Rape is.
No matter how much she’s drunk …
No matter what she’s wearing …
No matter if you’ve already kissed
… sex without consent is rape.
E depois de muitos passos, desvios e desafagos você decide que já passou.
Você percebe que a angústia não acompanha mais aquele nome, que pode até mesmo encontrá-lo na rua, dizer um Oi, chamar para um café. Amigos foram, amigos serão, não há nada de errado nisso.
E depois de ponderar, racionalizar e perceber que sim, sua vida já seguiu, seu rapaz te faz feliz e - com exceção de lapsos como esse - ele nem passava mais pela sua cabeça;você decide dar uma olhada, talvez mandar aquela mensagem, ou apenas conferir mais uma vez o perfil. Não há nada de mais nisso, não é stalker se você não tem nada a procurar.
Apenas amigos, apenas Oi, apenas Café.
E então você entra, a mesma foto, o mesmo sorriso. Você relembra dos momentos e se sente feliz porque de fato não faz diferença, está tudo bem.
Então você vê a porra do coraçãozinho estampado no perfil. E singelo como aquele desenho preto o seu coração gela e diminuí confrontado com a realidade.
Porra de amigos, porra de Oi, me dá apenas um café e passe bem.
Sometimes I really, REALLY, wanna punch you very hard.
Then I take a breath, and just try to ignore it.
So, since I can’t control your words, neither the way you say it.
Since I never know if you are vomiting it to me or about me
Please, just let me ignore it.
A vida tem passado rápido, os dias também. Ser gente grande é cansativo e te prende em universos estranhos de compromissos, metas, objetivos. São expectativas diferentes, porque com elas você pode lidar, você pode claramente dizer qual é o seu limite. São expectativas que podem ser mudadas sem causar muitos danos, que, no fundo, acabam frustrando mais você do que os outros. Eu sempre fui do tipo que preferi me frustrar ao invés de decepcionar outrém. Não apenas por puro altruísmo, é que a dor da culpa (mesmo sem culpa) é o pior dos venenos para meu corpo.
A vida tem passado rápido e eu quase não tenho mais tempo para lembrar do que deixei pra trás, para me lamentar a falta que você faz, para me questionar sobre ações que agora são certas mas que podem vir a se tornar erradas.
A vida tem passado rápido e está bom pra mim por aqui, assim como eu sei que também está tudo bem contigo aí. E assim talvez a história acabe, sem mãos dadas, mas também sem separações. A vida corre e aos poucos vai levando as preocupações, vai fortalecendo as seguranças, vai abrindo novos horizontes.
Aos poucos os textos vão sumir, as indiretas vão passar, até o dia em que perceberei que não te inspiro mais, que não te acompanho nas noites antes de dormir ou nos suspiros entrecortados. Que não sou a primeira opção de companhia, nem a melodia escondida em cada canção.
Nessa hora espero que a vida corra rápido porque a verdade é que, mesmo sabendo que é necessário, não é fácil te ver partir.
A gente caminha por aí pisando em corpos julgando serem ovos, mas a verdade é que no fundo você não tem medo de quebrá-los, mas sim de sujar os seus pés.
Estou descrente, porque tem horas que viver cansa. Não viver em si, mas toda essa rede de laços que viram nós, nós que viram forcas, e nossos passos que apertam cada vez mais a corda em nosso pescoço a medida que caminhamos.
Comi meu coração e agora no meu estômago as coisas parecem mais práticas. Agora, todos os dramas e complicações passam a me dar preguiça, então percebo que ele é grande o suficiente para me alimentar por um bom tempo.
Não preciso mais de outros corpos para saciar a fome de mim mesma.
O Natal já foi mais importante para mim.
Talvez na época em que os presentes eram mais aguardados, ou que os quilos a mais da ceia eram vistos como saúde, não como gordura. Quando o prazer de ficar acordada até mais tarde e rir junto com os adultos, mesmo sem entender direito as piadas que eles contavam, já bastava por si só.
O Natal já foi mais esperado por mim.
Pelo barulho das risadas, as canções natalinas, a roupa nova escolhida com esmero, a espera pela viagem a praia com os avós no dia 26.
Agora o Natal continua tendo seus cheiros e seu brilho, seja no amigo oculto, na ceia compartilhada, nas piadas sobre o pavê.
Na TV as novelas unem desavenças em nome da data, parece que por um dia tudo é esquecido. “é natal” se transforma na desculpa da vez e um dia de paz é vivido placidamente para na manhã seguinte novos planos diabólicos serem colocados em ação.
Ontem choveu, um carro capotou na estrada. Pela janela embaçada eu me perguntava se ele ia, vinha ou fugia.
Sirenes, poças, o que faz de um dia mais importante do que outro? O que faz de uma data mais digna de paz do que outras?
Se é possível viver um dia em tranquilidade, por quê é tão difícil lidar com os outros 364?
E isso a gente pergunta antes de fechar os olhos e ter o sono pesado, ainda atormentado pelo peso da ceia no estômago.